"" Como Entender a Bíblia: A Homilética e sua origem

A Homilética e sua origem

A ORIGEM DA PALAVRA





Se você quer aprender teologia, tem que estar ciente que a palavra é um veículo de comunicação que pode ser expressada por várias maneiras e o teólogo tem que buscar dominar essas maneiras:

a)      Sinais corporais – gestos;
b)      Sinais sonoros – fala;
c)      Sinais gráficos – escrita;
d)      Sinais luminosos – luzes.

A palavra falada é um fenômeno bio-psíquico-social.

a)      Biológico – porque só é possível a um ser dotado de cérebro, capaz de comandar um sofisticado sistema nervoso.
Ex.: O papagaio fala, mas não coordena as idéias.
b)      Psicológico – por que este cérebro tem que produzir pensamentos concretos.
c)      Sociológico – porque este cérebro tem que reconhecer o valor dos indivíduos de sua espécie (saber o que diz).

O convívio social é que obrigou o homem a pôr nome nas coisas, a organizar suas idéias e a desenvolver o complicado mecanismo da comunicação oral. Muito tempo depois de ter vocalizado a palavra é que surgiu a escrita.

A ORIGEM DA CONVERSA


O convívio social é que levou o homem a inventar a palavra e a frase, produzindo, assim, a conversa.

·        O que é a conversa?

É um diálogo entre duas ou mais pessoas. Os gregos davam à conversa o nome de homilia. Os romanos a chamavam de sermonis.
Conclusão: homilia e sermonis são sinônimos.

A ORIGEM DO DISCURSO


O convívio social que produziu a palavra e a conversa produziu o discurso.
DIS – contra / CURSARE – correr (tem a idéia de correr de um lado para o outro).
            A conversa é um diálogo em que o interlocutor tem uma participação direta e real. O discurso é um diálogo em que esta participação é direta, mas de forma imaginária.
No discurso, a pessoa que fala imagina que está trocando idéias com os seus ouvintes e espectadores.
Ninguém sabe quando surgiu o discurso, mas podemos imaginar como ele apareceu. Foi quando alguém teve que alterar a intensidade da voz, para se comunicar com um grupo de pessoas, pois o discurso tem essas duas marcas de identidade:

-         A pessoa fala a um grupo;
-         É preciso falar mais alto.

O discurso nasceu na Grécia. Os gregos, que inventaram a democracia, foram os primeiros a estudar as técnicas do discurso. Na Grécia Antiga, os gregos praticavam a democracia em praça pública, onde participavam de acaloradas discussões e faziam deliberações sobre os problemas urbanos comuns.
Falar em público tornou-se a coqueluche grega. Daí surgiu a retórica.
      A palavra retórica é grega, e deriva de rêtos, palavra falada. O retor entre os gregos era o orador de uma assembléia.
CÓRAX, um sofista ( pessoa que fala no sentido de enganar), residente na cidade de Siracusa, na Grécia, 500 AC, foi o  primeiro a traçar as normas de um discurso.

A DISPOSIÇÃO

-         Introdução;
-         Narração;
-         Argumento;
-         Observações adicionais;

Para o filósofo Sócrates, a retórica usada pelos sofistas era perigosa, pois os mesmos não agiam com ética, mas, mesmo assim, reconhecia o seu significado. Sabia do perigo que representaria quando utilizada por mestres imorais, que poderiam usá-la para fins escusos.
A palavra demagogo, que significa guia do povo ou líder popular, logo passou a significar, pejorativamente, aquele que ilude, que engana, que trapaceia o povo.
O maior orador grego foi Demóstenes. Dizem que ele tinha dificuldades de fala, pois era gago.
Os romanos, que tinham grande influência cultural dos gregos, se empolgaram tanto com a retórica, que logo a absorveram com o nome de Oratória. O maior orador romano foi Cícero. O maior orador teórico foi “Quintilano”. A melhor e mais completa obra de oratória da Antigüidade é “Instituição Oratória”, de sua autoria.
Tanto os romanos quanto os gregos nada sabiam de “Retórica Sacra”. Coube ao Cristianismo, por ser uma religião universal eminentemente missionária, a tarefa de criar a retórica sacra.
A palavra “Homilética” vem, pois, de homilia, que significa conversa ou conversação. Com o decorrer do tempo, essa palavra, como a latina “sermonis” sofreram uma alteração semântica e vieram a significar “discurso”. Nas sinagogas, os judeus limitavam-se a ler as Escrituras no culto, e a exortar o povo. Jesus introduziu uma novidade, aplicando o texto à sua própria vida (Lc 4:16-22).

Os sermões de:
·        Pedro (At 2:14-24);
·         Estevão (At 7:1-53);
·        Paulo (At 13:16-48), consistiam em narrar os fatos bíblicos e aplicá-los à vida de Jesus, para provar que Ele era realmente o Messias prometido.

A Homilética nasceu quando os pregadores cristãos começaram a estruturar suas mensagens, seguindo as técnicas da retórica (gregos) e da oratória ( romanos).
Se a retórica e a oratória são usadas para identificar o discurso secular, a homilética identifica o discurso sacro, religioso e cristão.
A partir da Reforma (31/10/1517), quando a Bíblia passou a ser o centro da pregação e quando os sermões deixaram de ser apenas discursos éticos ou litúrgicos para se transformarem em mensagens verdadeiramente evangélicas, a homilética passou a ser a arte de pregar o evangelho.
Assim, a homilética é:

·        Uma ciência: quando considerada sob o ponto de vista de seus fundamentos teóricos;
·        Uma arte: quando considerada em seus aspectos estéticos;
·        Uma técnica: quando considerada pelo modo específico de sua execução e ensino.

O PÚLPITO



            O púlpito, entre os romanos, era a plataforma do teatro onde os atores se apresentavam. A pregação exigiu que os pregadores fossem destacados, e construíram-se estrados, nos quais eles se posicionavam para pregar.
            Os católicos levaram não só o púlpito, mas também o altar para dentro dos templos. Só que o altar foi para o centro e o púlpito ficou à margem.
            A maior revolução se deu mesmo no Protestantismo, quando o altar foi abolido e o púlpito ocupou o seu lugar (no centro).
            A centralização do púlpito revelou que, para os protestantes, a pregação era o ponto alto do culto.

·        Cuidado! Atualmente o método prevalecente de evangelização entre nós é o “vinde” e não o “ide” de Jesus. Nos preocupamos mais com o fazer convidadores do que com o fazer proclamadores do evangelho.

HERMENÊUTICA


            É um estudo criterioso do texto bíblico, para que ele possa ser interpretado e aplicado de forma correta no desenvolvimento do sermão.
            Não devemos esquecer que a Bíblia é a autoridade suprema. Nada deve tomar o seu lugar. Uns crêem na tradição, já outros evocam a razão, e tem aqueles que estão sob a batuta da experiência.

·        Qual a natureza da Interpretação?

a)      Interpretar corretamente requer reforço mental e espiritual do intérprete para descobrir o pensamento do autor original, que foi inspirado por Deus.
b)      Cada aluno precisa fazer um estudo sério da hermenêutica, que é o estudo das leis ou ciência da interpretação bíblica.  

·        Por que há falhas na interpretação?

a)      Alguns confiam na sua própria eloqüência, e não dão atenção suficiente à busca do sentido real do texto.
b)      O uso excessivo de material extra-bíblico, substituindo o material que deveria ser extraído do texto bíblico.
c)      Muitos são preguiçosos demais para fazer um estudo adequado e sério do texto bíblico.
d)      Alguns não conhecem o trabalho necessário para se tornarem intérpretes da Palavra de Deus.
e)      Outros não tem tempo para fazer um estudo sério dos textos escolhidos.
f)        Muitos fracassam na interpretação do texto, porque negligenciam ou não entendem a fraseologia do texto. (Jo 21:25; Jo 1: 10; Jo 3:16; I Jo 2:15).


Veja esse vídeo para intender como a teologia é importante para o cristão.


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